Cases
Universitários da Federal de Pernambuco
identificam hábitos de público dos cinemas
com ajuda do SPSS
Para conhecer os hábitos e atributos que levam o Recife expandido a freqüentar as salas de
cinema,
alunos do curso de Administração utilizaram o software de análise estatística em
trabalho
acadêmico;
objetivo do trabalho foi comprovar cientificamente as preferências do
público e aproximar os alunos
da realidade no ambiente profissional
A sétima arte tem se tornado um terreno fértil para ações
promocionais no Brasil. Em um país que conta com mais de 2mil
salas de exibição, o cinema obteve o terceiro maior crescimento
em investimento publicitário, 17,5%, em 2008, alcançando um
faturamento de 88,3 milhões de reais, segundo o Projeto Inter-
Meios. Em pesquisa feita pela Filme B, até fevereiro de 2009, o
cinema no Brasil já acumulou alta de 31% no número de ingressos
vendidos. A freqüência do público nas salas de cinema pode ser
apontada como o fator principal para o investimento dos
anunciantes. Mas quais são os motivos que fazem o público optar
por esta ou aquela sala de cinema? Será que estacionamento ou a
segurança dos locais de exibição fazem a diferença na hora de
optar? A qualidade da imagem é um item fundamental?
Foi pensando em responder a essas perguntas que estudantes de
graduação, mestrado e doutorado da disciplina Pesquisa
Quantitativa Aplicada, do curso de Administração da UFPE -
Universidade Federal de Pernambuco, desenvolveram uma
pesquisa científica que aponta os hábitos e atributos que levam a
população do Recife expandido - Recife, Olinda e Jaboatão - a
freqüentar as salas de cinemas da região.
A partir dos dados obtidos na pesquisa, os universitários utilizaram
o software de análise estatística, SPSS, para a conclusão dos
estudos que foram realizados durante um semestre letivo. De
acordo com o professor coordenador da pesquisa, Pierre Lucena, a pesquisa quantitativa não teria sido feita em tão pouco
tempo não fosse a ajuda do software de análise estatística da
SPSS, fornecedora mundial de soluções de data mining e
análise preditiva. “A pesquisa gerou gráficos e diversas
correlações que seriam impossíveis sem o auxílio do SPSS”,
afirma o professor.
Segundo Lucena, o objetivo da pesquisa foi comprovar,
cientificamente, as opiniões escutadas nas filas dos
principais cinemas da região, sobre as preferências e os
motivos que levam as pessoas a freqüentar as salas de
exibição. “Apontando os hábitos desses consumidores, a
pesquisa traz a resposta que o cinema precisa saber para
manter o seu público e cativar novos freqüentadores.
Baseadas nessas respostas, as ações de marketing podem ser
melhor planejadas”, explica Lucena.
Entre os nove cinemas pesquisados, as salas do Shopping
Guararapes foram consideradas as melhores pelos
entrevistados. Em seguida, ficaram em segundo, terceiro e
quarto lugares, respectivamente, o Shopping Plaza,
Multiplex Recife e Multiplex Tacaruna. Em quinto lugar estão
as salas do Multiplex no Shopping Boa Vista, seguidas pelo
Cinema da Fundação, Cine Rosa e Silva e Cineteatro Parque e
Apolo.
Durante duas semanas, entre os dias de quarta-feira e domingo,
792 pessoas foram entrevistadas através de um questionário de
três páginas formulado pelos universitários. Metade das pessoas
foi abordada nas filas dos cinemas e a outra por conveniência, em
locais fora das salas de exibição. Os entrevistados foram
classificados de acordo com sexo, idade, estado civil, renda,
região da residência, sala visitada e outras diversas variáveis.
Doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela
Universidade Federal de Pernambuco, Pierre Lucena comenta que
optou pelo software da SPSS para a produção do trabalho
acadêmico pensando na interatividade proporcionada por ele e na
interface semelhante ao Excel, “além de ser o sistema mais
popular em nossa área”, comenta. “O objetivo da disciplina é
fazer com que os alunos dominem técnicas de pesquisa estatística.
O SPSS foi a escolha ideal também para aproximar os alunos da
realidade do ambiente profissional que usa largamente a
ferramenta”, explica o coordenador.
Perfil da amostra
A pesquisa foi dividida em duas fases. Na primeira, foi apresentado
o perfil dos freqüentadores analisados, apontando gênero, faixa
etária, renda, grau de escolaridade, etc. Também foram
verificados nessa fase os hábitos do público pesquisado,
analisando a freqüência de visita ao cinema, nota atribuída às
salas, os critérios utilizados na escolha do dia e hora, companhia
para o cinema, atitude em relação aos filmes nacionais, tipo de
pagamento, etc. Os atributos que mais influenciam na decisão
também foram respondidos nessa fase.
Já na segunda fase da pesquisa, os alunos foram divididos em
grupos que formularam algumas perguntas, baseadas nos
primeiros dados obtidos, para confirmar suas hipóteses a partir de
técnicas estatísticas encontradas no SPSS. De acordo com o
professor, as análises escolhidas para a pesquisa foram: Fatorial,
Cluster, Regressão Linear, Qui-quadrado e Variância.
Odilon Saturnino, mestrando do curso de Administração e um dos
pesquisadores, explica que a complexidade das análises obtidas só
poderiam ter sido alcançadas com um software como o SPSS
que traz, já na sua versão básica, todas as análises
necessárias para esse tipo de pesquisa. “A ferramenta foi
fundamental nessa parte da pesquisa, pois não existe
comprovação de hipóteses apenas com análises descritivas
de uma amostra. São necessários os testes estatísticos
encontrados no SPSS para comprová-las”, comenta o
universitário.
Análise de Clusters para verificar interesses em comum
Para identificar o grau de influência que alguns atributos
exercem na escolha dos freqüentadores dos cinemas, os
alunos indicaram 21 itens a serem analisados, sendo alguns
deles: Conforto das Poltronas; Temperatura da Sala; Limpeza
dos Sanitários; Qualidade da Imagem; Variedade de Filme;
Segurança; Preço; Localização; Estacionamento; etc.
Através do SPSS, os alunos aplicaram a análise de Clusters
para verificar se existiam grupos de entrevistados com
interesse em comum. Nesse estudo, os entrevistados foram
separados em quatro grupos (clusters) de acordo com o grau
de importância que deram aos atributos relacionados aos
cinemas na pesquisa.
Os clusters 1 e 4 foram formados em sua maioria por pessoas
que recebem mais de 10 salários mínimos, enquanto que no
cluster 2 predomina a faixa de dois a cinco salários e no
cluster 3, a maior parte recebe entre 5 e 10 salários mínimos. “Os grupos de pessoas com maior renda familiar atribuíram
maior importância para a qualidade audiovisual, conforto e
segurança. Já preço e serviços foram as principais escolhas
dos grupos de menor renda”, comenta Lucena.
Idade e gênero influenciam no gasto com cinema?
Através da análise de regressão linear múltipla, feita no
SPSS, os alunos conseguiram comprovar a hipótese de
influência da idade e do gênero dos freqüentadores no gasto
médio com cinema. “Optamos por esta técnica, porque ela
permite prever uma variável dependente a partir do
conhecimento de mais de uma variável independente”,
explica Odilon.
No teste, foi comprovado que toda vez que o ano de nascimento
dos pesquisados aumenta na tabela, o gasto médio diminui em
0,220 unidades. Agora, se o gênero do freqüentador de cinema
aumentar em uma unidade, no caso, passar de homem para
mulher, o gasto médio diminuirá em 0,098 unidades. “Concluímos
que a idade e o gênero são fatores de previsão do gasto médio no
cinema”, comenta o aluno.
Atitudes sobre os filmes nacionais
O comportamento do público em relação aos filmes nacionais
também foi verificado na pesquisa. “Verificamos se existe
diferença de atitude entre homens e mulheres em relação aos
filmes nacionais utilizando o teste de diferença em freqüências
com uso de Qui-quadrado”, diz Odilon, explicando que trata-se de
uma estatística não-paramétrica e que, por esse motivo, podem
ser aplicadas as escalas ordinais e nominais, como as utilizadas
para mensurar a atitude e o gênero dos pesquisados.
O teste iniciou com a formulação da hipótese nula de que homens e
mulheres não diferem no que diz respeito à atitude em relação aos
filmes nacionais. Segundo as análises obtidas no SPSS, a
significância verificada ficou muito acima do recomendado, o que
permite a aceitação da hipótese nula. “Dessa forma,
comprovamos que não é possível afirmar que existe diferença de
atitude entre homens e mulheres em relação aos filmes nacionais
na região do Recife expandido”, afirma Odilon.
Formas de pagamento e freqüência nos cinemas
A relação entre a quantidade de vezes que se costuma ir ao cinema
por mês e o tipo de pagamento efetuado foi analisada com o teste
de Diferenças e Médias de Grupos, empregando a Análise de
Variância. Nesse teste, pôde-se comprovar que existe relação
direta entre a quantidade de vezes que se costuma ir ao cinema
por mês e o tipo de pagamento do ingresso.
Segundo dados obtidos pelo SPSS, as pessoas que não pagam
ingresso costumam ir ao cinema em média 4,5 vezes por mês.
Entre as pessoas que pagam meia-entrada, a média de
freqüência foi de 3,01 vezes, já aqueles que pagam o ingresso
inteiro apresentaram a menor média, 2,33 vezes. “Isso
mostra que quanto mais as pessoas têm que desembolsar pelo
ingresso do cinema, menos vezes elas freqüentam esse tipo
de entretenimento”, comenta Lucena.
Depois de finalizada a pesquisa, o coordenador foi procurado
pelos cinemas pesquisados que se mostraram interessados
em utilizar as informações em suas campanhas de marketing.
Segundo Lucena, a pesquisa foi positiva em todos os
aspectos, porque atingiu seu objetivo de aproximar os alunos às técnicas de estatística e pôde ainda beneficiar
indiretamente o público freqüentador desses cinemas. “Caso
as salas de exibição utilizem essas informações em suas ações
de marketing, o maior favorecido será o consumidor”, diz o
professor que também prevê a continuação da aplicação do
software em sua disciplina. "O retorno obtido com o SPSS foi
excelente. A ferramenta foi o alicerce de nossa pesquisa e
terá presença garantida nos novos estudos acadêmicos”,
finaliza Lucena.
Case - UPFE.pdf |
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